Assim se configura o que chamamos trabalho alienado.
Etimologicamente, a palavra alienação vem do latim alienare, alienus, que significa "que pertence a um outro". Alienar, portanto, é tornar alheio, é transferir para outrem o que é seu.
Ora, se admitirmos que, pelo trabalho, ao mesmo tempo que o homem faz uma coisa também se faz a si mesmo, o trabalho alienado é condição de desumanização, pois os trabalhadores perdem o controle do produto e consequentemente de si mesmos, tornando-se incapazes de atuar no mundo de forma crítica.
A tecnocracia
O desenvolvimento acelerado da técnica cria o mito do progresso. Segundo essa crença, tudo tende para o aperfeiçoamento, mediante a atualização de potencialidades que se encontram em estado latente, embrionário. E, se tudo evolui para melhor, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia faria só acelerar esse processo.
A partir de tal concepção, compreende-se como natural a necessidade do aumento crescente da produção (ideal de produtividade); para tanto é estimulada a competitividade (a fim de que cada empresa seja melhor naquilo que produz), bem como a especialização (segundo a qual cada vez mais as grandes decisões são deixadas a cargo de especialistas na área).
Com o passar do tempo, as formas de controle de produção e divisão do trabalho se tornam mais rigorosas, desenvolvendo-se para tanto métodos científicos de ' 'racionalização'' do trabalho, que têm em vista os objetivos já referidos de produtividade, competitividade e especialização.
O mundo da produção assim configurado leva fatalmente à tecnocracia, que significa o domínio dos técnicos e da técnica. Ou seja, na civilização tecnicista e cientificista, a última palavra é sempre dada ao especialista, ao técnico competente.
No entanto, vivemos hoje a crise desses valores. O ideal do progresso inexorável é desmistificado quando constatamos que o desenvolvimento da ciência e da técnica nem sempre vem acompanhado pelo progresso moral. É o que veremos a seguir.
Razão louca e razão sábia
Os tempos modernos surgiram marcados pelo ideal da racionalidade que culminou no Iluminismo do século XVIII. Superando a concepção medieval, centrada na tradição e na visão religiosa do mundo, a modernidade se torna laica (não-religiosa) e busca na razão a possibilidade da autonomia do homem. O desenvolvimento técnico e científico é a expressão do racionalismo dos tempos modernos.
Mas, quando nos referimos à racionalidade da sociedade contemporânea, é bom indagar a respeito de que razão estamos falando. A razão que serve para o desenvolvimento da técnica é a razão instrumental, bem diferente da razão vital, por meio da qual o homem se torna capaz de compreender criticamente a situação em que vive.
Ora, se nunca o homem teve tanto saber nem tanto poder em suas mãos, também é verdade que o acréscimo de saber e de poder não tem sido acompanhado de sabedoria. O homem contemporâneo sabe o que fazer e como fazer, mas perdeu de vista o para que fazer.
O "especialista competente" pode ser o "aprendiz de feiticeiro" que não reflete suficientemente bem a respeito dos fins de sua ação.

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