quinta-feira, 11 de maio de 2017

Tecnologia e tecnocracia na redação do Enem

A tecnologia, uma vez constituída globalmente, não se deixa programar livremente pelo homem; ela é que o programa compulsivamente, ameaçando estender o seu domínio ao próprio curso da história. A tecnologia se transforma em tecnocracia, que não consiste no poder pessoal dos técnicos e sim no poder impessoal da técnica, amoldando totalmente o universo em que vivemos. A disseminação da tecnologia nuclear, independente da vontade das grandes potências, dos tratados de não-proliferação atómica, é bem um exemplo do quanto pode o impulso autónomo que dirige a expansão mundial da técnica. Antes que se avalie se é bom ou mau, económico ou antieconômico, moral ou imoral, oportuno ou inoportuno adquirir o controle da tecnologia nuclear, eis que, um depois do outro, os países desenvolvidos ou em desenvolvimento conquistam o domínio do ciclo de enriquecimento do urânio, sem que nada possa ser feito concretamente para impedi-lo. (...)



A lógica dos meios, alimentando-se endogenamente, sem consulta a qualquer fim externo, é lógica perversa que aprisiona o homem num circuito sem saída, dentro do qual ele é compelido a seguir, cegamente, a direçào imposta por um sistema fechado em si mesmo. A lógica tecnocrática dos meios contrapõe-se à lógica da história e da liberdade, que responde essencialmente aos fins últimos do homem, à sua vida, à sua morte, à sua múltipla vocação criadora. Suprimir os fins do homem é o mesmo que inibir sua liberdade e paralisar a história. A lógica dos meios decreta o fim da história, imobilizada e aprisionada nos limites de um circuito insuscetível de renovação.

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